sábado, 24 de maio de 2008

A 440 MHz

Sabe onde duas retas paralelas se encontram? No infinito. É lá, onde eu vou te encontrar.

Sabe onde o horizonte termina? No lugar em que o sol se põe. É lá, onde eu vou te encontrar.

Sabe onde numa partitura musical a fermata é sinal de fim da melodia, sem que o maestro assim o defina? Ao fim da sinfonia. É lá, onde eu vou te encontrar.

Sabe onde o Universo termina e começa uma nova dimensão, em que é possível voltar no tempo e desfazer aquilo que gostaria que nunca tivesse acontecido? Um lugar em que o tempo não existe. É lá, onde eu vou te encontrar.

E eu sei que, assim como eu, você está lá... Doce, paciente, incansável a me esperar. E é lá mesmo onde eu estou – lá, onde eu guardei minha esperança. É lá, a 440 MHz... O diapasão universal, que irá ecoar perfeito, em sincronia com a eternidade que o acompanhará.

É exatamente lá, onde eu vou te encontrar.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Meu namorado imaginário


Esses impostores... O que fizeram com ele? O amor da minha vida, meu tão real... namorado imaginário!

Durante 2 anos da minha vida, namorei o primeiro impostor. Pensei que era o verdadeiro... Mas que ingênua eu fui! E como se não bastasse o equívoco uma vez, aconteceu de novo. Novamente, namorei outro impostor, mas dessa vez não passou de 1 ano. Felizmente. E olha que esse trapaceiro era muito mais parecido com o meu namorado real imaginário do que o primeiro. Cheguei ao ponto de pensar que era você! Cheguei a jurar que era exatamente do jeito que eu sempre soube que você era. Ora, eram tão semelhantes... Quase não notei a diferença, exceto por um detalhe: meu namorado real fictício era, antes de qualquer coisa, meu companheiro, meu amigo... imaginário, é claro. E como tal, era alguém que me trazia esperança, esperança de viver, de realizar meus sonhos mais remotos, e de seguir em frente, não importavam as circunstâncias ao derredor.

Mas e agora, onde se encontra o meu prometido imaginário? Talvez perdido na minha imaginação, ou talvez não. Quem sabe pode até ter se sentido traído por ter sido fatalmente confundido duas vezes consecutivas com dois impostores tão falsos quanto reais... Ao amado da minha vida, o mais fiel e assíduo habitante dos meus delírios mais profundos, o meu pedido de perdão pelo triste engano. Eu me deixei levar por palavras, eu me deixei levar por emoções que nem palavras descrevem. Eu tive minha visão abruptamente interrompida por uma queda do tênue abismo existente entre o que de fato é, e o que parece ser.

Oh, céus! Mas nem o seu nome eu sei! Costumava chamá-lo por apelidos... Mil perdões, meu amor! Te deixei passar, te deixei ir! E nem ao menos sei se você, de fato, é meu...

domingo, 18 de maio de 2008

As regras do jogo


“As regras do jogo da criança são coações. Mas ela as deseja. Não vês homens notáveis disputarem os cargos? E, no entanto, os deveres dos notáveis são coações. Repara como as mulheres obedecem à moda na escolha dos seus enfeites, que ainda por cima variam de ano para ano. E aí temos outra vez uma linguagem que é constrangimento. Ninguém quer mais a liberdade de não ser mais compreendido.
Se eu denomino “casa” determinado arranjo das minhas pedras, não tens a liberdade de mudar a palavra, sob pena de ficares só, por não saberes fazer-te compreender.
Se eu estipulo que é de festa e de alegria determinado dia do ano, não tens a liberdade de não tomar isso em conta. Do contrário, te arriscas a ficar só, por falta de comunhão com o povo donde saíste.”

SAINT- EXUPÉRY. Cinderela



“Ninguém quer mais a liberdade de não ser mais compreendido.”

Por mais que se tente fugir, ser “escravo” das regras do “jogo” é uma condição que sejamos compreendidos e aceitos, quer por um grupo, comunidade, ou pela sociedade, de uma forma geral.


“Se eu denomino “casa” determinado arranjo das minhas pedras, não tens a liberdade de mudar a palavra, sob pena de ficares só, por não saberes fazer-te compreender.”

Nossas atitudes são determinadas por regras/padrões. Porém, quem é que define tais regras? Seria este alguém o “dono da verdade”? Fugir à regra nada mais é do que criar novas regras, ou seja, suas próprias regras. Como bem se sabe, existe na língua um número imenso de palavras, dotadas de sentidos que, por vezes, variam de acordo com o contexto ao qual elas se referem. Variam, sim, mas existem significados já pré-estabelecidos para cada vocábulo. Ou seja, dentro de uma discricionariedade para o uso criativo das palavras, há limites. E tais limites são o que chamamos de “Gramática Normativa”. “Inovar” dentro da gramática geralmente é visto como atitude “leviana” e irresponsável. Entretanto, existe a chamada “licença poética”, que dá aos escritores uma certa liberdade para “inventar” novos sentidos e funções gramaticais dentro do universo literário. Tal fato talvez ocorra por um motivo bem simples: as regras da Gramática convencional são baseadas no modo de escrita dos autores renomados. Dentre os modernos, vale citar o cronista Luís Fernando Veríssimo. O mesmo assume que não é nenhum “gramático”, mas que apenas possui o talento para a arte de bem-escrever e expressar (e de uma forma sensacional, diga-se de passagem), o que é indubitável. E ele mostra isso, como sempre de forma bem humorada, no texto “O Gigolô das Palavras”, de sua autoria. E não há como recriminar um artista como este. Eu não me atreveria.





“(...) sob pena de ficares só, por não saberes fazer-te compreender.”

É inevitável a “marginalização” daqueles que não seguem as regras do jogo. Se foi convencionada uma condição “x”, todos são, mesmo que inconscientemente, compelidos a segui-la, sob pena de ser excluído do grupo.

Bem, meu foco aqui foi a gramática, com intuito exemplificativo. Mas é cediço que a sociedade, de uma forma geral, rege-se por regras, sejam estas de cunho filosófico, religioso, político, etc. Entretanto, onde está a liberdade em meio a isso tudo? Ora, há, sim, a liberdade de escolher agir segundo as normas, ou fugir destas e ser fortemente reprimido e/ou marginalizado pela maioria, que não deseja ver prejudicado seu interesse comum com o qual estão acomodados. Fica a critério.

Filosofia de estudo dos tempos verbais da Língua Portuguesa



Não valeria a pena dizer quem sou, pois no momento em que isto está sendo lido, eu não mais sou – eu fui. Ou será que vivemos em um eterno presente? Melhor, então, seria ater-me a pensar naquilo que serei, apesar de que o futuro nunca chega, mas tão somente se transforma em presente, e este, por sua vez, em passado. Então, a pergunta deveria ser: “Quem serei eu”? Se assim fosse, a resposta seria: “Nada.”, tendo em vista que o futuro é sempre futuro, e nunca chega, até que provem o contrário. Na verdade, o que chega não é o futuro, e sim o presente, donde se pode inferir que a vida é uma constante utopia. o.O’

Relatividade absoluta


Certo dia, eu estava tentando observar a mim mesma, na tentativa de obter uma informação mais concisa a meu respeito. Mas qual não foi minha surpresa quando flagrei-me observando não a mim, mas os outros ao meu redor. Não que eu encontre neles a resposta, mas talvez possam me ajudar a encontrá-las. Como? Um elogio ou uma crítica negativa? Não. Talvez estejam atentando apenas para determinada característica minha (e não para mim, como um todo). Continuei a observar as pessoas além de mim, e percebi que meus estímulos a elas, sim, contribuíam para que mudassem sua postura e, quem sabe, até suas maneiras de me ver - e que estas também interferiam em meu próprio comportamento para com elas. Sim, eu disse “maneiras”, no plural, pois são muitas. Porventura seria eu um aglomerado de opiniões alheias, nem sempre comuns entre si?
Uma das coisas que mais me impressionam é a capacidade que as pessoas têm de avaliar outrem. No entanto, quando são incitadas a fazerem uma autocrítica, acabam por pensar tanto – ou quase nada – a ponto de fornecerem respostas, na maioria das vezes, superficiais e abstratas. Porém não sou um ser abstrato: sou concreto, eu existo.
Retorno ao começo, em que citei ter me pegado observando os outros, e suas atitudes em retribuição a meus estímulos, e vice-versa. Constatei que o indivíduo é caracterizado não por seus atos, mas pelo que estes podem causar naqueles que convivem com ele, seja para bem ou para mal – o importante é estar o mais distante possível da condição de mediocridade. Em vista disso, concluo que sou um ser concreto, porém não absoluto, e que sozinha eu nunca poderei chegar a ter uma resposta satisfatória sobre aquilo que eu, de fato, seja. Só resta viver pra ver.

A Mariposa e a Estrela


Conta a lenda que uma jovem mariposa de corpo frágil e alma sensível voava ao sabor do vento certa tarde, quando viu uma estrela muito brilhante e se apaixonou.
Voltou imediatamente para casa, louca para contar à mãe que havia descoberto o que era o amor, mas a mãe lhe disse friamente: que bobagem! As estrelas não foram feitas para que as mariposas possam voar em torno delas. Procure um poste ou um abajur e se apaixone por algo assim; para isso nós fomos criadas.
Decepcionada, a mariposa resolveu simplesmente ignorar o comentário da mãe e permitiu-se ficar de novo alegre com a sua descoberta e pensava: que maravilha poder sonhar!
Na noite seguinte, a estrela continuava no mesmo lugar, e ela decidiu que iria subir até o céu, voar em torno daquela luz radiante e demonstrar seu amor. Foi muito difícil ir além da altura com a qual estava acostumada, mas conseguiu subir alguns metros acima do seu vôo normal. Entendeu que, se cada dia progredisse um pouquinho, iria terminar chegando à estrela, então armou-se de paciência e começou a tentar vencer a distância que a separava de seu amor.
Esperava com ansiedade que a noite descesse e, quando via os primeiros raios da estrela, batia ansiosamente suas asas em direção ao firmamento.
Sua mãe ficava cada vez mais furiosa e dizia: estou muito decepcionada com a minha filha. Todas as suas irmãs e primas já têm lindas queimaduras nas asas, provocadas por lâmpadas! Você devia deixar de lado esses sonhos inúteis e arranjar um amor que possa atingir.
A jovem mariposa, irritada porque ninguém respeitava o que sentia, resolveu sair de casa. Mas, no fundo, como, aliás, sempre acontece, ficou marcada pelas palavras da mãe e achou que ela tinha razão.
Por algum tempo, tentou esquecer a estrela, mas seu coração não conseguia esquecer a estrela e, depois de ver que a vida sem o seu verdadeiro amor não tinha sentido, resolveu retomar sua caminhada em direção ao céu.
Noite após noite, tentava voar o mais alto possível, mas, quando a manhã chegava, estava com o corpo gelado e a alma mergulhada na tristeza. Entretanto, à medida que ia ficando mais velha, passou a prestar atenção a tudo que via à sua volta.
Lá do alto podia enxergar as cidades cheias de luzes, onde provavelmente suas primas e irmãs já tinham encontrado um amor, mas, ao ver as montanhas, os oceanos e as nuvens que mudavam de forma a cada minuto, a mariposa começou a amar cada vez mais sua estrela, porque era ela quem a empurrava para ver um mundo tão rico e tão lindo.
Muito tempo depois resolveu voltar à sua casa e aí soube pelos vizinhos que sua mãe, suas irmãs e primas tinham morrido queimadas nas lâmpadas e nas chamas das velas, destruídas pelo amor que julgavam fácil.
A mariposa, embora jamais tenha conseguido chegar à sua estrela, viveu muitos anos ainda, descobrindo que, às vezes, os amores difíceis e impossíveis trazem muito mais alegrias e benefícios que aqueles amores fáceis e que estão ao alcance de nossas mãos.
Com esta lenda aprendemos duas coisas: valorizar o amor e lutar pelos nossos sonhos, porque sabemos que é a realização deles que nos faz feliz e lembremos:
O mundo está nas mãos daqueles que têm coragem de sonhar, e correr o risco de viver seus sonhos.