domingo, 18 de maio de 2008

Relatividade absoluta


Certo dia, eu estava tentando observar a mim mesma, na tentativa de obter uma informação mais concisa a meu respeito. Mas qual não foi minha surpresa quando flagrei-me observando não a mim, mas os outros ao meu redor. Não que eu encontre neles a resposta, mas talvez possam me ajudar a encontrá-las. Como? Um elogio ou uma crítica negativa? Não. Talvez estejam atentando apenas para determinada característica minha (e não para mim, como um todo). Continuei a observar as pessoas além de mim, e percebi que meus estímulos a elas, sim, contribuíam para que mudassem sua postura e, quem sabe, até suas maneiras de me ver - e que estas também interferiam em meu próprio comportamento para com elas. Sim, eu disse “maneiras”, no plural, pois são muitas. Porventura seria eu um aglomerado de opiniões alheias, nem sempre comuns entre si?
Uma das coisas que mais me impressionam é a capacidade que as pessoas têm de avaliar outrem. No entanto, quando são incitadas a fazerem uma autocrítica, acabam por pensar tanto – ou quase nada – a ponto de fornecerem respostas, na maioria das vezes, superficiais e abstratas. Porém não sou um ser abstrato: sou concreto, eu existo.
Retorno ao começo, em que citei ter me pegado observando os outros, e suas atitudes em retribuição a meus estímulos, e vice-versa. Constatei que o indivíduo é caracterizado não por seus atos, mas pelo que estes podem causar naqueles que convivem com ele, seja para bem ou para mal – o importante é estar o mais distante possível da condição de mediocridade. Em vista disso, concluo que sou um ser concreto, porém não absoluto, e que sozinha eu nunca poderei chegar a ter uma resposta satisfatória sobre aquilo que eu, de fato, seja. Só resta viver pra ver.

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